Aluno(a) de Licenciatura que já fez bacharelado deve fazer a monografia novamente?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

CRIAS CONVIDA:


O Grupo de Estudos CRIAS - CRIANÇA: Sociedade e Cultura, convida a tod@S a participarem do 1º Seminário de Pesquisa do nosso grupo.


“A IDADE DO SANTO: Crianças e Autoridade no Candomblé”




Com Christiane Falcão
(doutoranda St. Andrews University)


Local: Sala 402 do CCHLA
Data: 24 de Agosto de 2011
Horário: 14 horas

Grupo de Estudos CRIAS - CRIANÇA: Sociedade e Cultura Maiores Informações: crias_ufpb@googlegroups.com

Imagem do blog http://eremibeji.blogspot.com/

CRIAS CONVIDA:



O Grupo de Estudos CRIAS - CRIANÇA: Sociedade e Cultura, Convida a tod@S a participarem do 2º Seminário de Pesquisa, do nosso grupo.

“A INFÂNCIA NOS LABIRINTOS DA HISTÓRIA:
rompendo silêncios e abrindo horizontes”



Com a Profa. Drª Alcileide Cabral do Nascimento (UFRPE), autora de "A Sorte dos Enjeitados"

Local: Sala de Reunião do CCHLA
Data: 26 de Agosto de 2011
Horário: 14 horas

Grupo de Estudos CRIAS - CRIANÇA: Sociedade e Cultura
Maiores Informações: crias_ufpb@googlegroups.com

terça-feira, 7 de junho de 2011

Resenha sobre o texto "Elas Decidem?: Analisando o papel familiar da mulher a partir do Programa Bolsa Família"


Depois de um tempão sem postar, trazemos uma resenha feita pelo aluno SERGE KATEMBERA RHUKUZAGE (UFPB) para a disciplina ANTROPOLOGIA NO BRASIL ministrada pela professora LUCIANA CHIANCA.

PS* textos dos alunos são muito bem vindos! Enviem para o email ffp23279@gmail para que possam ser publicados.


RESENHA

PIRES, Flávia, SANTANA DO SANTOS, Patrícia, DA SILVA, Jéssica K.R. ELAS DECIDEM? Analisando o papel familiar da mulher a partir do Programa Bolsa Família, in. GONÇALVES, Alícia F. Dossiê Avaliação de Políticas Públicas, Revista Caos, n.16, João Pessoa, 2011.

Faz pelo menos quatro anos que a professora Flávia Pires dirige um grupo de pesquisa financiado pelo CNPq intitulado “ A Casa Sertaneja e o Programa Bolsa Família: analisando Impactos de Políticas Públicas no semi-árido Nordestino Brasileiro” . O grupo vem produzido uma série de artigos sobre os impactos do Programa Bolsa Família no semi-árido do sertão paraibano que estão sendo publicados em diversas revistas de Ciências Sociais no Brasil. Entre esses artigos mais recentes podemos citar “ O Programa Bolsa Família e o consumo das meninas e dos meninos no Semi-árido Nordestino” apresentado na ANPOCS EM 2010, “ Brebotos e Burungangas: analisando o empoderamento infanto-juvenil no Sertão Paraibano” publicado em 2009 na Revista Caos da UFPB por uma das pesquisadoras do projeto, Tatiana Benjamim. Os resultados desse grupo tem mostrado uma relevância etnográfica considerável nas áreas de antropologia e Ciência Política pelos avanços notáveis da noção de cidadania. Apresentamos aqui uma síntese da última revelação da pesquisa sobre as relações de gênero na região.
O trabalho foi baseado na pesquisa de campo realizada na cidade de Catingueira, situada no Estado da Paraíba. As pesquisadoras utilizaram como método de coleta de dados a observação participante pois passaram sete dias morando cada uma na casa de uma das famílias pesquisadas. Além da observação participante, as pesquisadoras fizeram entrevistas com mais de vinte e duas (22) pessoas beneficiárias da Bolsa Família. Esses métodos permitiram o acesso a dados dificilmente encontrados nas pesquisas econômicas. O objetivo da pesquisa foi de encontrar eventuais efeitos da Programa Bolsa Família nos papéis de familiares, visto que preferencialmente o
Programa estipula que o auxílio deverá ser recebido pela mulher. O artigo consiste na discussão dos papéis e na observação das mudanças nas relações de gênero. Trata-se de observar a configuração do poder na família sertaneja atingida pelo Programa, e em última análise revelar a tensão entre tradição e modernidade nessa área.
O artigo está dividido em quatro partes. Na primeira parte, as autoras apresentam seu campo de pesquisa; que descrevem da seguinte maneira. A cidade de Catingueira é configurada na polaridade entre zona rural e zona urbana. Ela está situada no semi-árido paraibano. A economia da região é baseada na agricultura de subsistência do milho e da feijão. A cidades consta com vários pequenos comércios, um supermercado de médio padrão, mercadinhos, uma casa lotérica, onde os beneficiários do Programa recebem o dinheiro da Bolsa, um banco privado e uma pequena loja de móveis e eletrodomésticos. As famílias de Catingueira tem como renda principal o dinheiro da Bolsa e das aposentadorias, e ainda dos pequenos empregos na prefeitura. Pires observou que em regra geral há uma nova preferência pelo trabalho na prefeitura por parte das novas gerações desejosas de ter uma vida melhor do que a dos pias. Há também um claro incentivo dos pais para que as crianças estudem e tenham acesso a “coisas melhores”. Uma característica da cidade chamou bastante a atenção das pesquisadoras: a imensa imagem de São Sebastião, padroeiro da cidade) no centro da cidade, símbolo maior da religiosidade da vida dessas pessoas.
Em seguido, as autoras apresentam brevemente o Programa Bolsa Família e seus objetivos básicos. Segundo elas, o Programa está montado em torno de uma dicotomia básica: favor e direito. Contudo a pesquisa irá revelar que tal dicotomia não procede no caso do Sertão Paraibano. O PBF é
política de transferência de renda iniciada em 2003 pelo governo Lula. Seu objetivo maior é garantir o direito humano a uma alimentação adequada, contribuindo para a erradicação da extrema pobreza e para a conquista da cidadania pela parcela da população que se encontra mais vulnerável à fome, lembram as autoras. O Programa está regrada em torno de condicionalidades como a obrigatoriedade das crianças apresentarem frequência escolar, serem vacinadas cada vez que for necessário. Ou seja, há um incentivo do governo para que as famílias contempladas pelo PBF usem os sistemas públicos de saúde e de educação. Na cidade de Catingueira, quase a renda total da
Bolsa vai para o consumo no mercado local.
Segundo o entendimento geral da população de Catingueira que se beneficia do PBF, o auxílio que recebem consiste num favor do governo federal, na pessoa do presidente Lula; e também num direito das pessoas que não tem o que comer. Ou seja é um “direito da pessoa pobre” e também um “favor de Lula” como salientam as autoras.
Nas terceira e quarta partes do trabalho, as pesquisadoras montam uma quadro teórico para a sua pesquisa. A partir de uma conceituação teórica sobre a família e a elaboração do gênero poem as bases do trabalho. Primeiro elas definem o papel do homem em Catingueira. Segundo uma tradição sociológica e antropológica já conhecida, elas identificam o homem com espaço público e a mulher com o espaço privado. Esta dupla configuração do espaço se reflete também na estrutura da sociedade. Com base na trabalho de Bourdieu sobre a moralidade do Kabile o papel do homem é referido ao momento da produção e o da mulher ao momento pós-produtivo. O poder responde à configuração da família patriarcal de Gilberto Freyre da Casa Grande e Senzala.
As relações estão embasada em reciprocidades e obrigatoriedades que não reduzem a dominação masculina. Além do homem estar associado ao trabalho braçal, em geral ( motorista de caminhões, pedreiro, agricultor, roceiro, etc.), ele está subordinado a um conjunto de regras de condutas próprias à moral da família. É através de seu trabalho que o homem tem a sua autoridade legitimada em Catingueira. A autoridade masculina não depende apenas de sua presença física como lembra uma entrevistada. Contudo a mulher tem seu lugar reforçado pela sua autoridade moral que consiste em relembrar ao seu marido a sua função cada vez que este se “desvia do caminho”.
A mulher tem o seu espaço limitado ao universo doméstico. A casa é o seu lugar. Ela está destinada a ter o controle do dinheiro; seu papel é de administradora das necessidades da família. Se o homem é o chefe da casa , a mulher é o chefe da família. Suas relações são de complementaridade
sem que isto reduza a autoridade do homem como já lembramos. É uma verdadeira divisão de autoridade, afirmam as autoras.
A pesquisa revelou que as mulher conseguem um poder aquisitivo significativo graças ao Programa Bolsa Família, sobretudo na compra de bens de consumo de primeira necessidade. Contudo quando se trata de fazer compras maiores( no sentido se serem mais caras), elas se remetem à autoridade do marido e a sua capacidade de discernimento. Aí ocorre um fenômeno de suma relevância para as pesquisadoras que é a “combinação” entre o casal, que na verdade significa a existência de uma complexa situação em que a negociação entre marido e mulher é primordial para a compra de um bem de maior valor ou considerado. Para responder, portanto, à pergunta do título, temos a impressão clara de que elas não decidem...
Existe no projeto do governo do governo o pressuposto de que a mulher sempre pensa coletivamente; de que ela estaria sempre disposta a cuidar da família. Ou seja, na base do Programa há uma idéia que reproduz o papel tradicional da mulher, ao passo que o Programa em si tende a emancipar a mulher como cidadã. Isto nos leva a fazer algumas considerações finais sobre as políticas públicas de transferência de renda para as populações pobres.
A oportunidade de uma série de publicações sobre as políticas públicas no Nordeste brasileiro permite novas abordagens e novos questionamentos sobre a cidadania no Brasil. Flávia Pires e seus pesquisadores( Patrícia Oliveira e Jéssica da Silva) abrem agora o debate sobre a relação entre as políticas públicas no Nordeste brasileiro e as relações de gênero.
Vale dizer que o Programa Bolsa Família tem entre outros objetivos a contribuição para a conquista da cidadania para as populações pobres do Brasil. Ou seja se reconhece desde o princípio
que sem o “primeiro passo” do Estado essas populações não teriam como alcançar os direitos humanos básicos de cidadania. O programa é construído em torno de várias condicionalidades como bem colocam as autoras, entre elas a exigência que apenas a mulher seja responsável pelo recebimento do auxílio. Com isto vemos já um postulado contraditório nesse projeto: o programa pretende autonomizar as famílias mais vulneráveis do país, e ao mesmo tempo condiciona o auxílio com base numa concepção tradicional da mulher como administradora das necessidades simbólicas e materiais da família.
O que se coloca de mais inovador neste trabalho, além da percepção da tensão entre tradição e modernidade na construção da cidadania no Brasil, é também a ênfase que se dá à penetração das políticas públicas nas esfera privada; a ponto de afetar as relações de gênero. A pesquisa mostra que
as políticas sociais não se desvinculam das relações de sacralidade que já predominam nessas regiões de grande pobreza. Daí que para algumas pessoas, seja absolutamente compatível associar o programa à uma dádiva de Deus, e ao mesmo tempo concebe-ló como um favor do antigo presidente( “nenhum outro presidente antes fez o mesmo”, é o motivo da crença.). Nas relações de gênero essa visão sacralizante permanece forte. A dominação do homem é também um preceito divino. Voltando à questão puramente funcional da reprodução das relações de gênero e seu impacto sobre a emancipação, as autoras percebem uma certa “autonomia emergente” no papel da mulher. Contudo, quando se trata de fazer compras maiores(electrodomésticos, roupas, tênis para os filhos, etc.) são os homens que ainda detém o grande poder deliberativo, apesar das mulheres terem a função de demostrar a necessidade da compra.
Pires mostra, portanto, que a a mulher tem adquirido mais autonomia na família tradicional do semi-árido paraibano. O poder aquisitivo tem significado a possibilidade dela ter mais poder de decisão; e quem sabe político?

sábado, 1 de janeiro de 2011

MESTRADO EM ANTROPOLOGIA DA UFPB: INSCRIÇÕES ABERTAS

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal da Paraíba abrirá inscrições para seleção de candidatos no nível de mestrado, de 3 a 24 de janeiro de 2011. As inscrições serão realizadas na Secretaria do PPGA, no Centro de Ciências Aplicadas e Educação da UFPB, campus Litoral Norte, em Rio Tinto, ou poderão ser enviadas pelo correio, via sedex.
Maiores informações: ppga@ccae.ufpb.br

Faça download do edital: http://www.ccae.ufpb.br/noticias/arquivos/EDITAL%202011%20PPGA%20UFPB%20Mestrado%20Antropologia.pdf

domingo, 21 de novembro de 2010

Otavio Velho na UFPB


É com grande alegria que anunciamos a vinda do professor Otavio Velho, professor Emérito do Museu Nacional, UFRJ, ao Campus I/ UFPB.

O Professor Otavio é pesquisador senior do CNPQ, autor de inúmeros livros e artigos de referência na área de estudos do campesinato e capitalismo, modernidade, religião. Foi presidente da ANPOCS e da ABA e vem atuando nos últimos anos na SBPC. Inúmeros textos e entrevistas do autor podem ser encontradas online (scielo, google, etc).


Conversa com Autor
Dia 03/12
às 14:30H
Sala 500


Esperamos contar com a presença de tod@s!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Finalmente saiu o nosso PPGA!!

Depois de longa e um pouco sofrida espera, ontem recebemos a notícia da aprovação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPB. Até que enfim é possível fazer formação de pós-graduação em antropologia sem sair daqui! O PPGA funcionará nos campi de João Pessoa e de Rio Tinto e comporta quatro linhas de pesquisa: 1) imagem, arte e performance; 2) corpo, saúde, gênero e geração; 3) território, identidade e meio ambiente; 4) políticas sociais e do cotidiano: campo e cidade. Em breve, divulgaremos informações sobre nosso primeiro processo de selação de candidatos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

sábado, 6 de novembro de 2010

SELEÇÃO DE MONITORES para MUSEU DE CIÊNCIA

ESTAÇÃO CABO BRANCO começa primeira etapa da SELEÇÃO DE MONITORES para MUSEU DE CIÊNCIA

A Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes (ECARTES) abre nesta quarta-feira (3 de novembro) novo processo seletivo de estagiários para futura contratação no Museu de Ciência. As inscrições podem ser realizadas até o dia 19 de novembro, das 10h às 18h, na recepção da Estação, localizada na avenida João Cirillo da Silva, no bairro Altiplano Cabo Branco.
A seleção faz parte do convênio de cooperação entre a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP). O edital do processo seletivo se encontra no portal da Prefeitura. Podem se inscrever estudantes da UFPB que tenham cursado no mínimo 30% dos créditos do curso e no máximo 70%. É preciso apresentar CRE acima ou igual a 5,0 e ter conhecimento básico de inglês, espanhol, francês ou alemão; disponibilidade de vinte (20) horas semanais para o desenvolvimento das atividades de estágio e também para trabalhar em finais de semana e feriados.
O candidato deverá ter ainda facilidade para se relacionar com o público, interagir positivamente na convivência em grupos e, acima de tudo, ser assíduo e pontual no exercício profissional. A chefe do setor de gestão educacional, a professora Cássia Freitas, comentou que por meio dessa prática de monitoria de museu, oportuniza aos universitários da Universidade Federal da Paraíba a experiência impar de interagir com processos de ciência, cultura e artes presentes num espaço museológico cujos pilares se referenciam na inclusão social ampla e irrestrita e na formação educacional que contemple os desafios da sociedade moderna.
“Entendemos essa contribuição social como um significativo salto qualitativo na formação dos universitários, que em contrapartida nos beneficiam com um imenso potencial em formação cujas potencialidades são infinitas”, acrescentou a professora que juntamente com a Chefe do Setor de Monitoria, Cecília Avelino Barbosa, coordenam uma equipe de 41 estudantes universitários.
O processo seletivo será feito em duas etapas, sendo uma classificatória e outra eliminatória. Na primeira etapa o candidato deverá entregar cópia de currículo e histórico escolar atualizado e carta de intenções explanando sucintamente sobre como a Estação Cabo Branco pode contribuir para sua formação profissional. Na segunda etapa haverá uma entrevista com os interessados, onde serão abordados aspectos da vivência acadêmica, interesses pessoais e profissionais/acadêmicos em relação ao estágio.
Os estudantes classificados terão direito a uma bolsa correspondente a R$ 300, além do custeio do transporte. A duração do estágio é de um ano, podendo ser renovado por vontade das partes envolvidas. Mais informações no edital, que está disponível no site www.joaopessoa.pb.gov.br, ou pelos telefones (83) 3214.8303 e 3214.8270.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

James Ferguson da Universidade de Stanford




James Ferguson da Universidade de Stanford esteve na ANPOCS e causou frison ao sugerir formas inusitadas de distribuição de renda. É Mauss na veia!



Antropólogo sugere universalização de sistemas de renda mínima


Por Rafael Evangelista
30/10/2010



Com trabalhos realizados no Lesoto, Zâmbia e África do Sul, entre outros, o antropólogo norte-americano James Ferguson, da Universidade de Stanford, defendeu uma maior atenção da antropologia ao tema da distribuição, em conferência realizada na última quinta-feira (28) na 34a reunião da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). Em sua fala, ele afirmou os programas de distribuição de renda e de renda mínima como promotores do desenvolvimento em regiões pobres e como meio de reconhecimento da cidadania.

Distribuir os recursos seria uma questão de justiça tão válida em países ricos como pobres. “No Alaska, a população recebe uma renda distribuída pelo Estado como sua parte nos lucros derivados da exploração do petróleo. Na Noruega, a renda é distribuída pelo simples fato de todos serem cidadãos. Porque isso não é válido para os países africanos, tão ricos em mineração?”, questiona.

Ferguson defende os sistemas de renda mínima universalizados em lugar dos programas focalizados, que são voltados especificamente aos idosos, às crianças ou aos de mais baixa renda. Segundo ele, esse tipo de benefício direcionado custa mais caro, por causa da burocracia para evitar fraudes, e pode dar origem a injustiças que vitimam famílias que não se encaixam nos requisitos mínimos, mas igualmente necessitam dos benefícios. “Mesmo um valor muito pequeno, como 16 dólares por exemplo, faz com que as pessoas se sintam reconhecidas pelo Estado, leva a mudanças econômicas significativas e é um ponto de partida para que o benefício seja aumentado a partir de pressão popular”, aponta.

A partir de exemplos coletados em países do sul da África, Ferguson afirma que o trabalho não assalariado está crescendo nas regiões urbanas e diz que há equívocos na classificação dessas pessoas, tanto à esquerda quanto à direita do espectro político. “A esquerda os vê como trabalhadores desempregados, enquanto a direita os vê como micro empreendedores”, lembra o antropólogo, questionando a ideia de informalidade. “Eu não falaria em informalidade, mas em sobrevivência improvisada”.

Ao afirmar a antropologia como importante na análise dos problemas envolvendo a distribuição de recursos, Ferguson conta uma pequena história que mostra a insuficiência das categorias de análise em utilização hoje. “Após a crise da mineração na Zâmbia, muitos trabalhadores migraram para os centros urbanos. Com qualificação, mas sem empregos, muitos vivem de comprar cigarros em maço e vendê-los por unidade, avulsos”. Para as estatísticas, esse tipo de trabalhador está empregado e é um micro-empresário.

Em típica análise antropológica, o pesquisador criticou e dissecou o famoso provérbio chinês: "Antes de dar comida a um mendigo, dá-lhe uma vara e ensina-lhe a pescar". Segundo Ferguson, aceitar o provérbio significa aceitar que o problema dos pobres é uma mera questão de conhecimento, como se ele não fosse capaz de sobreviver e necessitasse que alguém os ensinasse. Além disso, o provérbio aponta para a direção errada, ao afirmar que o problema deriva da falta de produção, da necessidade de se pescarem mais peixes. Ao contrário, o problema da pobreza derivaria muito mais de uma questão de distribuição dos recursos.

Ferguson usa de um autor clássico da antropologia, Marcel Mauss – autor, entre outros, de Ensaio sobre a dádiva -, para dizer que o caminho de saída para crise atual, iniciada em 2008 e que lembraria em muito a crise da década de 1930, não é combater o mercado mas fortalecer o papel distributivo do Estado. A solução, na época, passou pela alteração do pêndulo em direção ao trabalho e distanciando-se do capital. “Mauss já nos mostrou que o mercado via além do capitalismo e é uma instância essencial de socialização”, conclui o antropólogo.


Fonte
http://www.comciencia.br/comciencia/?section=3¬icia=664

Estudos e Avaliação das Ações do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

Seleção Pública de Propostas de Estudos e Avaliação das Ações do Desenvolvimento Social e Combate à Fome


Lembro que, até 8 de novembro, encontra-se aberto para recebimento de propostas de apoio financeiro a estudos e avaliação das ações vinculadas a políticas de desenvolvimento social e combate à fome.



Trata-se de iniciativa conjunta entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os projetos deverão priorizar estudos e avaliações ligados à proteção e ao desenvolvimento social no âmbito de programas, ações e serviços do MDS que se enquadrem em um dos seguintes temas: assistência social; segurança alimentar e nutricional; Bolsa Família - Estratégias para alívio e superação da pobreza; inclusão produtiva; e integração entre serviços socioassistenciais.

As propostas aprovadas serão financiadas com R$ 1,5 milhão, oriundos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Cada projeto pode solicitar até R$ 60 mil. A princípio, serão selecionados cinco projetos por tema, podendo haver repetição de linhas na seleção das propostas. Não havendo propostas válidas em número ou qualidade suficiente em uma linha temática, poderá haver remanejamento de recursos para as outras linhas.

O objetivo do edital é solidificar uma cultura de monitoramento que possibilite o aprimoramento dos programas e políticas públicas, o cumprimento das metas e consequentemente propicie melhor atendimento aos usuários dos serviços socioassistenciais.

O proponente deve possuir o título de mestre e/ou de doutor, ter seu currículo cadastrado na Plataforma Lattes e vínculo celetista ou estatutário com a instituição de execução do projeto. O pesquisador aposentado poderá apresentar proposta desde que comprove manter atividades acadêmico-científicas e apresente declaração da instituição de pesquisa ou de pesquisa e ensino concordando com a execução do projeto.

As propostas devem ser encaminhadas ao CNPq por intermédio da Plataforma Carlos Chagas (http://carloschagas.cnpq.br/), até 8 de novembro.

O edital está disponível em:
http://www.cnpq.br/editais/ct/2010/036.htm

domingo, 24 de outubro de 2010

Livros Infantis grátis

ITAÚ OFERECE LIVROS INFANTIS GRATUITOS

Amigos,

Mesmo para quem não tem criança... E um bom presente para dar para alguma que vcs conheçam.

A Fundação Itaú Social está doando oito milhões de livros infantis, gratuitamente.

Para recebê-los, é só cadastrar-se no site www.itau.com.br/lerfazcrescer

Eles remetem o livro para sua residência, sem nenhum custo.

Aproveitem esta oportunidade para estimular o hábito da leitura em nossas crianças.

Não é necessário ser cliente do ITAÚ.

Repassem esta informação ao maior número possível de pessoas.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Clara Mafra fala sobre a polêmica religiosa nas eleições presidenciais


Informe do Dia: ‘Discussão religiosa tem que ser aprofundada’
POR FERNANDO MOLICA

Rio - Discussões sobre questões religiosas representam uma característica das democracias modernas e não são uma exclusividade do nosso processo eleitoral. A afirmação é de Clara Mafra, especialista em antropologia da religião e professora da Pós-Graduação em Ciências Sociais da Uerj. Para ela, o maior erro dos candidatos é o de manter diálogos apenas com parcelas conservadoras das comunidades religiosas.

— A religião ganhou destaque excessivo?

— O erro não é falar de religião, mas a falta de familiaridade dos candidatos com o tema. Eles acabam usando estereótipos e se aliando a grupos conversadores dessas religiões.

— A ênfase nas discussões religiosas não atrapalha o processo eleitoral brasileiro?

— O problema não está só no Brasil. A democracia moderna tem usado polêmicas e elementos superficiais nesse debate, como no caso da proibição do véu mulçumano na França. Se as questões fossem aprofundadas antes do período eleitoral, a discussão não seria tão rasa agora. Para resolver o problema não basta incluir ou excluir o tema da religião da pauta.

— Como sair deste quadro no segundo turno?

— José Serra e Dilma Rousseff não têm um passado religioso e eles acreditam que é possível receber em bloco os votos de Marina Silva, que é evangélica. Esta é uma avaliação errada. Enquanto não se conversar a fundo com os grupos religiosos, continuaremos a desenvolver um diálogo de mal-entendidos, onde a religião é sinônimo de obstrução da razão.

.FONTE http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/10/informe_do_dia_discussao_religiosa_tem_que_ser_aprofundada_117804.html

Exposição fotográfica Variações do Feminino: bastidores do universo trans


CONVITE para exposição fotográfica -
Variações do Feminino: bastidores do universo trans

de 18 a 22 de outubro, no hall da reitoria, no campus I da UFPB.

Para quem não está em João Pessoa, visitem nosso site e vejam as fotografias da exposição: www.paraibatrans.org

domingo, 17 de outubro de 2010

site da ANPOCS

No site da ANPOCS sessão Videoteca
http://www.anpocs.org.br/portal/content/section/10/73/
há arquivos de vídeo de alguns eventos da ANPOCS já ocorridos. Já inúmeras palestras, mesas redonda e, inclusive, os mini-cursos ministrados por grandes cientistas sociais. Vale a pena conferir e assistir.

Escolhi apenas um para vocês: uma aula de Roberto da Matta sobre Turner, Leach e Douglas.

http://www.anpocs.org.br/portal/content/view/728/73/#Roberto

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Queijo e o Antropólogo - provocações de Otavio Velho


Uma passagem memorável do livro Besta Fera - Recriação do Mundo do antropólogo Otavio Velho

"No começo da década de 70, eu fazia pesquisa no sul do Pará, na região do Tocantins-Araguaia. Um dia, andando a cavalo por uma trilha no meio da mata, encontrei uma cabana. Na cabana encontravam-se a mulher do dono da casa e diversas crianças. Ao me aproximar e cumprimentar, perguntei se podia beber água. Convidado, apeei e entrei. Sentei num banco e rapidamente chegou a água (barrenta) e, junto com ela, um "queijo" local. Cerimoniosamente, não só bebi a água, mas também comi o queijo, lentamente e com grande dificuldade, sob o olhar da mulher e das crianças, todos enfileirados e de pé à minha frente. Terminada essa prova de estoicismo antropológico de que só os neófitos são capazes, agradeci e me dirigi à montaria, quando fui então interpelado pela mulher:

– Moço, posso lhe fazer uma pergunta?

Um tanto surpreso com essa quebra do típico e tímido silêncio anterior, respondi que sim, ouvindo então:

– Isso que o senhor comeu, isso é queijo mesmo? (Velho 1995:176)."


FONTE:
VELHO, Otávio. 1995 [1987]. "O cativeiro da besta-fera". In: Besta Fera — recriação do mundo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. pp.13-44

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

projeto de extensão "Cinema & Humanidades

CURSO DE EXTENSÃO

IV Ciclo Temático de Cinema: Diálogos Plurais Dentro das atividades do projeto de extensão "Cinema & Humanidades", desenvolvido junto ao Departamento de Ciências Sociais da UFPB, com apoio da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (PRAC-UFPB), divulgamos a realização do IV Ciclo Temático de Cinema: Diálogos Plurais.


Proposta: Neste curso de extensão, pretendemos dar continuidade ao debate das edições anteriores, com um diálogo interdisciplinar em torno de obras cinematográficas contemporâneas. A dinâmica básica será de exibição de uma lista de seis filmes, sempre sucedidos por palestras conjuntas entre professores(as) do campo das Ciências Sociais e de áreas próximas (História, Psicologia, Relações Internacionais e Serviço Social). A partir de aspectos tratados pelas películas exibidas, os palestrantes abordarão temáticas pertinentes às suas disciplinas de especialidade e também os pontos de diálogo entre as distintas áreas das Humanidades. Além das palestras, em cada encontro pretende-se proporcionar um período para o debate com o público. O objetivo deste ciclo é oferecer aos participantes um espaço para uma reflexão interdisciplinar acerca de temas relevantes às Ciências Humanas, tendo como base suas representações nos filmes selecionados.

PROGRAMAÇÃO: 13/10 (quarta-feira)Filme: “Segunda-feira ao sol” (Fernando Léon de Aranoa, 2004)Palestrantes: Profª Eliana Monteiro (Sociologia) & Prof. Anísio Araújo (Psicologia)

20/10 (quarta-feira)Filme: “A era da inocência” (Denys Arcand, 2007)Palestrantes: Prof. Samir Perrone (Ciência Política) & Profª Eugênia Krutzen (Psicologia)

27/10 (quarta-feira)Filme: “Última parada 174” (Bruno Barreto, 2008)Palestrantes: Prof. Ariosvaldo Diniz (Sociologia) & Profª Aparecida Ramos (Serviço Social)

03/11 (quarta-feira)Filme: “O jardineiro fiel” (Fernando Meirelles, 2005)Palestrantes: Profª Marcela Zamboni (Sociologia) & Prof. Thiago Lima (Relações Internacionais)

10/11 (quarta-feira)Filme: “Entre os muros da escola” (Laurent Cantet, 2008)Palestrantes: Prof. Terence Mulhal (Sociologia) & Profª Daniela Silveira (História)


18/11 (quinta-feira)Filme: “Casamento silencioso” (Horatiu Malaele, 2008)Palestrantes: Profª Silvia Nogueira (Antropologia) & Prof. Tiago Bernardon (História)

LOCAL: Auditório 211 do CCSA/UFPB HORÁRIO: 19hs. A participação neste curso é gratuita e aberta ao público, sendo conferido certificado de extensão de 18hs àqueles que cumprirem o mínimo de 75% de frequência aos encontros. As inscrições encontram-se abertas e podem ser realizadas via e-mail (cinemaehumanidades@yahoo.com.br) ou no local durante o evento.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cientistas sociais nas ONGs quinta-feira às 20 horas

Mais um evento do já famoso projeto de extensão Ciências Sociais Extra Muros que tem como fim responder àquelas questões recorrentes dos alunos de Ciências Sociais:
Onde vou trabalhar depois de formado?
Tem emprego para cientista social?
Só posso me inserir do mercado de trabalho como professor/a?


As professoras Mónica Franch e Flávia Pires, e os alunos Yuri Bastos, Wanessa Souto Veloso e Patrícia Oliveira convidam para a :

Palestra com Pedro Nascimento - Professor da UFAL

Tema Os cientistas sociais nas ONGs

Dia 07/10
20H!
sala 402/ CCHLA


Compareçam!
PS.: a presença pode valer créditos, fale com Patrícia Oliveira no dia do evento

Entrevista com Bruno Reis


SBPC: Bruno Reis analisa impacto do Reuni sobre as ciências sociais
terça-feira, 27 de julho de 2010, às 7h37


Membro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), o professor Bruno Reis, do Departamento de Ciência Política da Fafich, participa nesta terça-feira da mesa-redonda Ciências Sociais no Século XXI – Interdisciplinaridade e outros desafios. Ao lado da coordenadora da mesa, professora Alice Resende de Carvalho, da PUC-Rio, e dos cientistas sociais Celi Scalon, da UFRJ, e Carlos Alberto Caroso, da UFBA, Reis abordará temas que impactam a evolução das ciências sociais no Brasil.

Entre eles, o advento do Reuni, que favoreceu a proliferação de cursos da área Brasil afora. “Embora assentado em propostas interdiscipinares, os cursos criados sob a chancela do Reuni acabaram ampliando a fragmentação disciplinar”, analisa o cientista político da UFMG, nesta entrevista ao Portal da UFMG, na qual também fala sobre o papel que a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) deve exercer nesse novo cenário. Reis também questiona o tipo de formação que o jovem brasileiro recebe no ensino médio. “Nossa escola é obtusamente científica”, critica.

Como avalia o atual cenário das ciências sociais no Brasil?
As ciências não pairam sobre o nada, resultam de uma história institucional. As ciências sociais, por exemplo, cristalizaram uma identidade específica em torno da ciência política, da sociologia e da antropologia. Não se trata de um agrupamento comum mundo afora; é uma particularidade brasileira. Os Colleges nos Estados Unidos não têm o grau de especialização e profissionalização de nossas universidades. Lá, um aluno que ingressa em um college de ciências humanas cursará uma série de disciplinas até descobrir os seus interesses. Nossa história é diferente, envolve diplomas específicos, cursos separados, área de humanas fragmentada. Às vezes, os nossos bacharéis se sentem em vantagem em relação ao aluno que acabou de sair de um College americano. Nosso modelo pode até produzir uma vantagem inicial, mas a longo prazo pode se transformar em uma desvantagem. Acho que, aos 50 anos, um profissional de ciências humanas se beneficia de ter uma base de formação mais larga, algo que é favorecido pelo sistema americano.
Voltando ao Brasil, as ciências sociais mantiveram, de certa forma, um guarda-chuva relativamente largo para três especializações: ciência política, sociologia e antropologia. Mas é um agrupamento relativamente arbitrário, uma configuração resultante da própria história das ciências sociais no Brasil e que se consolidou com a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), criada em 1977. O que ocorreu é que, aos poucos, as pós-graduações no Brasil se consolidaram em torno de matrizes disciplinares e, à medida que se institucionalizaram, elas passaram a se reportar a associações disciplinares, como a ABA (antropologia), SBS (sociologia), e a ABCP (ciência política). E de forma não intencional vem ocorrendo relativo esvaziamento da Anpocs, que, cada vez mais se firma como polo de referência para os alunos dos cursos de graduação, os quais ela formalmente não representa.



O que deve ser feito para reverter esse esvaziamento?
Mais do que resistir, sustar ou combater esse processo, acredito que a Anpocs precisa se apresentar como uma associação multidisciplinar, capaz de expandir sua interlocução para além das três áreas. A melhor maneira de robustecê-la é investir em uma identidade transdiscisplinar na área de humanas. Há uma série de indagações sobre o futuro das ciências sociais no Brasil relacionado com a questão da relativa afirmação autônoma das três áreas e do esvaziamento da Anpocs à qual me referi anteriormente. E há também o fato de o Reuni ter aprofundado esse processo. Embora assentado em propostas interdiscipinares, os cursos criados sob a chancela do Reuni acabaram ampliando a fragmentação disciplinar. Veja o caso do curso de Gestão Pública, criado na Fafich. Como o DCP assumiu a iniciativa de estruturar o curso, ele acabou ficando com uma carga horária de disciplinas de ciência política maior do que seria o ideal para um curso de gestão pública. Do ponto de vista institucional, isso criou um problema. Há muitos cursos novos surgidos com o Reuni e certa inquietude quanto à administração deles: a ciência política tem um pé nas ciências sociais e outro na gestão pública; a antropologia na UFMG é, ao mesmo tempo, um bacharelado e uma ênfase de outro bacharelado. Há quem diga que isso não é problema, mas certamente existe uma duplicação de recursos, com riscos de evasão adiante.

Quantos cientistas sociais o Brasil forma por ano?
Não sei, mas o que posso dizer é que eles constituem uma paisagem muito diversificada. Levantamento da ABCP realizado há cinco ou seis anos mostrava que o número de disciplinas de ciências políticas nos cursos de ciências sociais era muito pequeno. Ou seja, essa tríade antropologia-sociologia-ciência política é meio que para constar. Há cursos de ciências sociais, sobretudo no interior, que estão preocupados em formar professores de sociologia para o ensino médio – o que é compreensível. Eles incluem disciplinas básicas de sociologia, do pensamento político clássico (Maquiavel, Hobbes, Rosseuau) e só. Por outro lado, não há consenso entre nós, cientistas sociais, do conteúdo de sociologia que deve ser ministrado no ensino médio. É preciso cristalizar uma certa ciência aplicada para o ensino médio. Em outras ciências, como na Física, isso já está resolvido. Um aluno do ensino médio não é obrigado a ler um artigo de Einstein sobre a Relatividade Restrita. Ele vai simplesmente se debruçar sobre um compêndio com os principais resultados de determinada experiência científica e não sobre a história da reflexão.

Como os alunos do ensino médio têm chegado à universidade?
Acho a escola excessivamente precoce e ritualística. Na verdade, preferiria receber um estudante do ensino médio com menos carga horária de ciências, mas com desenvoltura em segunda língua, com mais base em matemática, tocando um instrumento musical, lendo uma partitura. Enfim, que aqui chegasse um aluno melhor formado cognitiva e culturalmente, para que, a partir daí, a universidade pudesse profissionalizá-lo. O que ocorre, muitas vezes, é o oposto. Chega um menino com muito conhecimento técnico-científico, mas sedento de formação filosófica-humanística.

Há quem diga que o Brasil forma muito mais cientistas sociais do que pesquisadores nas áreas de tecnologia e engenharias. Esse debate preocupa os cientistas sociais? Isso é real ou é preconceito de quem não coloca as ciências sociais e humanas no mesmo patamar das ciências, digamos, mais clássicas?
Acho que tem um pouco de tudo do que você sugeriu. Todas essas alternativas fazem sentido e não são mutuamente excludentes. Mas não vejo esse debate muito presente entre os cientistas sociais. Normalmente, a gente se preocupa mais em discutir se estamos formando bem do que se estamos formando muito ou pouco. E não há muito o que a universidade possa fazer sobre isso. É uma demanda que ela recebe da sociedade.

É um debate com viés economicista...
Mas é pertinente. Um país precisa pensar no tipo de profissional de que precisa para se desenvolver. O Ministério da Educação, por exemplo, não só tem o direito como a obrigação de refletir sobre isso, de avaliar se as vagas que ofertam em seus cursos são coerentes com as demandas do mercado de trabalho e com as necessidades estratégicas do país. Se há uma distorção na demanda, é possível que a explicação esteja naquilo que eu disse anteriormente. Se a escola conseguisse resolver a curiosidade humanística das nossas crianças e jovens, eles talvez procurassem depois, com mais segurança, um curso de engenharia. A escola é obtusamente científica. Minha intenção é formar cientistas aqui na Fafich e acredito que a minha tarefa – e também a do professor do ICEx ou do ICB – seria paradoxalmente facilitada se existisse menos ciência – no mau sentido – nos ensinos fundamental e médio. Melhor seria se houvesse mais matemática e menos esforço de memorização de fórmulas das várias ciências e taxonomias biológicas. Elas não ajudam a formar cientistas, porque induzem os jovens a aceitarem dogmaticamente um conhecimento como dado.


FONTE http://www.ufmg.br/online/arquivos/016241.shtml

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Convite para Palestra Bacana

Tema da Palestra:

A retórica binária: Prometeu e Fausto em sons analógicos e digitais
Prof. José Cláudio S. Castanheira

Resumo
Será uma discussão sobre as relações complexas entre a atual cultura digital e o pensamento tecnocientífico contemporâneo, pautado pelo modelo das tecnologias de informação (TIs). Será descrito o modo como esse pensamento foi estuturado a medida que surge um self moderno, internalizado e com uma visão de mundo como construção intelectual. Serão utilizados universos e discursos sobre sons digitais e analógicos como exemplo dos ideários faustíco e prometéico, conceitos propostos pelo sociólogo português Herminio Martins.

6ª-feira, dia 8/10, às 16h20
Local: Sala de aula do P6 de Relações Internacionais.
Campus da UEPB - Rua Walfredo Leal 487, Tambiá.
(Fica na rua da Sonho Doce, e perto da Praça da Independência).